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Desenvolvimento completo de uma escala de literacia em saúde

Não existia nenhum instrumento validado em língua russa para medir a literacia em saúde em crianças em idade escolar. Com a Universidade da Cidade de Moscovo, construímos um em cinco etapas. Atuei como consultora de investigação psicométrica: aconselhei sobre como construir a escala, geri o processo e fiz a análise dos dados e os resultados.

54itens no instrumento final
9escalas em três secções
1 095alunos no estudo final de validação
5etapas de desenvolvimento, da revisão por especialistas aos pontos de corte

O estudo

Um modelo, depois uma medida.

O modelo conceptual resultou de uma revisão das formas internacionais de medir a literacia em saúde em adolescentes. Foram analisados mais de 50 instrumentos publicados.

O que o instrumento abrange

Três secções funcionais — autonomia, motivação e prática — em quatro temas: higiene, rotina diária, alimentação e atividade física. Ao contrário da maioria dos instrumentos comparáveis, mede também a motivação para cuidar da saúde.

O meu contributo

Fui a consultora de investigação psicométrica. Aconselhei sobre como construir e validar a escala, geri o processo de desenvolvimento, fiz a análise de dados em R e preparei os resultados. Convidámos outros especialistas da área a trabalhar o conteúdo dos itens. Sou a segunda autora do artigo de 2023, com Elena Nekhorosheva e Daria Kasatkina.

Construção

Mais curta, e mais fiável.

Cada piloto eliminou itens fracos e reformulou os pouco claros, com especialistas a rever todas as rondas. Onze escalas preliminares passaram a nove.

Redução de itens

Número de itens em cada fase

Piloto pequeno, N = 92120 itens
Piloto grande, N = 31370 itens
Estudo final, N = 1 09569 itens
Instrumento final54 itens
O último corte, de 69 para 54 itens, resultou de uma segunda revisão por especialistas que eliminou formulações quase duplicadas. Cada escala final tem seis itens.

Fiabilidade

Alfa de Cronbach de cada escala no instrumento final

Autonomia

Acesso à informação0,81
Confiança0,83
Crenças0,78

Motivação

Amotivação0,70
Motivação intrínseca0,80
Motivação extrínseca0,76

Prática

Avaliação crítica0,86
Comunicação0,86
Ação0,83
Todas as escalas atingiram 0,70 ou mais, e seis em nove atingiram 0,80. Duas escalas preliminares, a compreensão da informação e a pesquisa e interesse, foram eliminadas durante os pilotos.

Estrutura

Testar a estrutura, fator a fator.

Cada secção foi testada isoladamente e depois em conjunto. O ajustamento foi bom para a autonomia, aceitável para a prática e abaixo dos limiares habituais para a motivação, o que o artigo reporta abertamente.

Análise fatorial confirmatória

O modelo de medição: 54 itens, nove escalas, três secções

0,650,630,640,710,730,52Acesso à informação0,660,700,770,490,520,60Crenças0,680,580,750,620,640,79Confiança0,630,490,560,430,640,42Amotivação0,690,480,660,510,770,45Motivação extrínseca0,490,680,670,710,650,62Motivação intrínseca0,670,560,780,820,760,71Comunicação0,750,770,770,670,450,81Avaliação crítica0,610,660,610,610,760,80AçãoAutonomia0,610,890,88Prática0,920,770,960,650,18−0,90Três escalas correlacionadas,não combinadas numa só pontuação.0,79

Autonomia

Acesso à informação0,61itens 0,52–0,73
Crenças0,89itens 0,49–0,77
Confiança0,88itens 0,58–0,79

Motivação

Amotivação—itens 0,42–0,64
Motivação extrínseca—itens 0,45–0,77
Motivação intrínseca—itens 0,49–0,71

Prática

Comunicação0,92itens 0,56–0,82
Avaliação crítica0,77itens 0,45–0,81
Ação0,96itens 0,61–0,80

Segunda coluna: saturação do fator na sua secção. As escalas de motivação correlacionam-se: amotivação com extrínseca 0,65, extrínseca com intrínseca 0,18, amotivação com intrínseca −0,90. A autonomia e a prática correlacionam-se 0,79.

Saturações estandardizadas do modelo mais simples, em que cada item satura num só fator. No diagrama completo, em ecrãs mais largos, cada quadrado é um item, sombreado pela força da sua saturação. Redesenhado com designações em português a partir do artigo. O ajustamento deste modelo ficou ligeiramente abaixo dos limiares convencionais (CFI 0,867, RMSEA 0,042); permitir saturações cruzadas melhorou-o (CFI 0,958, RMSEA 0,024). O artigo recomenda o modelo simples para os professores porque as pontuações continuam a ser uma média simples.

Níveis

Das pontuações a algo que um professor consegue ler.

As pontuações são a média de seis itens, de 0 a 3. Os padrões de resposta foram agrupados em cinco níveis, com base no conteúdo das respostas e na frequência de cada resposta na amostra.

Estudo final, 1 095 alunos

Proporção de alunos em cada nível, por escala

Muito baixoBaixoMédioAltoMuito alto
Acesso à informação17%24%34%21%
Crenças9%27%46%17%
Confiança22%28%27%19%
Motivação intrínseca18%24%33%23%
Avaliação crítica8%25%23%23%21%
Comunicação18%34%18%17%12%
Prática10%40%26%14%10%
Amotivação35%49%9%
Motivação extrínseca58%31%
Na amotivação e na motivação extrínseca, um nível alto significa mais dela, e não melhor. As percentagens estão arredondadas.

Lidas em conjunto, as escalas mostram lacunas. Nesta amostra, 63% dos alunos estavam num nível alto ou muito alto nas crenças sobre uma vida saudável, mas 24% estavam nesse nível na prática. O instrumento foi construído para mostrar este tipo de lacuna, e não apenas uma pontuação total.

Num estudo de formação

A mesma escala, usada antes e depois de um programa.

A escala foi também usada num estudo de formação em escolas: cerca de 500 alunos do 5.º ao 10.º ano de escolas de Moscovo, testados duas vezes, com um grupo experimental e um grupo de controlo.

O que os números mostram

No segundo teste, o grupo experimental obteve pontuações mais altas do que o grupo de controlo no acesso à informação, na compreensão e na avaliação crítica. No grupo experimental, nenhuma escala mudou de forma significativa entre os dois testes. No grupo de controlo, as pontuações de confiança, prática, amotivação e motivação extrínseca desceram.

Porque não é prova

Os grupos já diferiam no primeiro teste, e as diferenças nessas três escalas eram então tão grandes ou maiores. Só 228 dos 500 alunos puderam ser emparelhados nos dois testes. Os dados descrevem os grupos; não mostram que o programa tenha causado as diferenças.

Grupo experimental menos grupo de controlo

Diferença na pontuação média em cada teste

Primeiro testeSegundo teste
−0,6−0,20+0,2+0,6
Acesso à informação+0,27 → +0,19
Compreensão da informação+0,37 → +0,26
Confiança-0,32 → -0,13
Crenças-0,10 → -0,15
Amotivação-0,23 → +0,54
Motivação intrínseca-0,01 → -0,01
Motivação extrínseca+0,01 → +0,55
Avaliação crítica+0,38 → +0,25
Comunicação-0,20 → -0,14
Prática-0,18 → +0,14
Pontuações médias numa escala de 0 a 3; um ponto à direita da linha central significa que o grupo experimental obteve uma pontuação mais alta. Casos válidos: 313 no primeiro teste (207 experimentais, 106 de controlo) e 312 no segundo (216 e 96). O teste deste estudo tinha dez escalas, incluindo a compreensão da informação, que o instrumento final não mantém.

Limites

O que a evidência não mostra.

Dito logo à partida, para que o instrumento seja usado para aquilo para que foi construído.

  • O instrumento baseia-se em autorrelato escrito, pelo que não consegue medir de forma objetiva o que as crianças conseguem encontrar, compreender ou fazer, e não é adequado a crianças mais novas.
  • A secção de motivação ajusta-se aos dados abaixo dos limiares habituais, e os níveis foram definidos em parte a partir da distribuição das respostas desta amostra, e não de normas nacionais.
  • A comparação do estudo de formação é descritiva, com grupos desiguais no início e uma grande perda de casos.

Publicação: Nekhorosheva, E. V., Enchikova, E. S., & Kasatkina, D. A. (2023). Multidimensional Health Literacy Scale: Development and Psychometric Properties (Razrabotka i validizatsiya metodiki mnogomernoy otsenki gramotnosti v voprosakh zdorov’ya). Educational Studies Moscow, 1, 126–160. Original em russo. doi.org/10.17323/1814-9545-2023-1-126-160

Onde se situa no método: Etapa 02 · Construir e validar · Etapa 03 · Recolher os dados · Etapa 04 · Analisar

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