Investigação educacional · Experiência digital · Análise de trajetórias
Educação digital e confiança entre pais e escola
Como é que os pais encontram e avaliam informação educativa, e como é que a sua experiência dos serviços digitais se relaciona com a confiança nas escolas? Investigação com a Universidade da Cidade de Moscovo: um grande inquérito a pais em 2023 e um artigo analítico publicado em 2026.
O estudo
Um inquérito, e o que fazer com ele.
O projeto mais amplo combinou entrevistas em profundidade com um grande inquérito online a pais de Moscovo. Abrangeu necessidades de informação, dificuldades de comunicação, utilização de recursos digitais e perceções sobre o sistema educativo.
O meu contributo
Fui membro da equipa de investigação e coautora do livrete do projeto. O meu trabalho analítico está no artigo de que sou primeira autora, When Trust Is at Risk, escrito com Elena Nekhorosheva e Daria Kasatkina, que examina as dificuldades na interação com a escola, a experiência digital e a confiança dos pais.
Abordagem analítica
O artigo construiu e verificou escalas e desenvolveu depois seis modelos de trajetórias, passo a passo. Separou o conhecimento dos recursos digitais, a frequência com que eram usados e a satisfação dos pais com eles, e comparou o seu papel na relação entre dificuldades e confiança. Isso vai além de contar quem usa o quê.
Atribuição pública: equipa de investigação da Universidade da Cidade de Moscovo, com Ekaterina Enchikova filiada na Universidade do Porto no artigo.
Percursos dos pais
O acesso à informação foi apenas parte do problema.
O livrete do projeto, Em diálogo com os pais: como construímos confiança mútua na educação (2023, publicação da equipa; tradução do título em russo), descrevia como os pais se movem entre serviços digitais e pessoas.
Digital em primeiro lugar
Pais que usavam sítios web oficiais, serviços online, redes sociais e conversas para encontrar informação e concluir tarefas educativas.
Híbrido
Pais que reuniam informação básica online e depois a confirmavam com professores, administradores escolares ou outros pais antes de decidir.
Orientado pelo contacto pessoal
Pais para quem o contacto pessoal continuava a ser a fonte decisiva, mesmo quando a pesquisa online fazia parte do processo.
Padrões qualitativos de percurso do livrete, e não segmentos da população com proporções medidas.
Onde surgiu o atrito
Os pais descreveram instabilidade técnica, interfaces e instruções pouco claras, informação fragmentada e dificuldade em saber a quem dirigir uma pergunta ou uma reclamação.
O que queriam
Informação clara e atualizada e um caminho previsível até à pessoa certa. Os canais digitais podiam apoiar o diálogo, mas não substituir automaticamente relações atentas com professores e administradores.
O livrete propunha tecnologia mais fiável, melhor navegação e ligações entre os recursos oficiais, orientações mais claras sobre responsabilidades e vias de escalamento, e formas mais ordenadas de contactar o pessoal da escola.
O modelo
A qualidade da experiência digital foi central.
No modelo combinado, a satisfação dos pais com os recursos digitais sustentou a ligação entre a utilização e a confiança.
Modelo combinado
Utilização, satisfação e confiança
O que o modelo mostra
A frequência de utilização associou-se positivamente à satisfação (cerca de 0,32), e a satisfação à confiança (cerca de 0,27). As dificuldades mantiveram uma associação negativa com a confiança; no modelo de base a associação estandardizada foi de −0,449. A trajetória direta da frequência para a confiança não foi significativa.
Explicações alternativas
Seis modelos examinaram a relação de base entre dificuldades e confiança e diferentes vias de comunicação e de experiência digital. A frequência do contacto pessoal associou-se positivamente à confiança, mas a via indireta através da comunicação pessoal não foi significativa. A satisfação teve a maior associação indireta entre os modelos de mediador único.
Medição
Primeiro medir, depois modelar.
O questionário abrangia os recursos digitais, as perceções sobre as escolas e o sistema educativo, e as características das famílias. As medidas compósitas mantiveram separados o conhecimento, a utilização, a satisfação, a comunicação, as dificuldades e a confiança.
Fiabilidade
Alfa de Cronbach das medidas compósitas
Limites
O que a evidência não mostra.
Dito logo à partida, para que os resultados sejam lidos como associações e não como prova de efeitos.
- Os dados são autorrelatados e transversais, pelo que os resultados são associações. Não mostram que as ferramentas digitais façam a confiança recuperar.
- A amostra era 94% mulheres e 77% com ensino superior, pelo que não deve ser tratada como representativa de todos os pais.
- Os recursos digitais foram agregados, pelo que não é possível separar o contributo de cada plataforma.
- Os padrões de percurso do livrete são qualitativos e não têm proporções medidas.
Publicação: Enchikova, E. S., Nekhorosheva, E. V., & Kasatkina, D. A. (2026). When Trust Is at Risk: How Digital Resources Help Parents Stay Connected to Schools. Educational Studies Moscow, 1, 67–95. Original em russo. doi.org/10.17323/vo-2026-26880
Comunicação: 16.ª Conferência da Associação Europeia de Sociologia, Porto, agosto de 2024. Diapositivos, PDF ↗
Onde se situa no método: Etapa 04 · Analisar